Vem Quem Queer 2025 amplia vozes da cultura LGBTQIA+ em Canaã dos Carajás

Evento idealizado pelo coletivo Juventudes pela Revolução chega à sua segunda edição no dia 5 de julho com shows, DJs e representatividade

No sábado, 5 de julho, Canaã dos Carajás recebe a segunda edição do “Vem Quem Queer”, evento cultural voltado à comunidade LGBTQIA+. A partir das 19h, o espaço Sim Sem Hora, no bairro Vale dos Sonhos III, será palco de uma programação com música ao vivo, DJs, performances e artistas locais.

Criado pelo coletivo Juventudes pela Revolução, o Vem Quem Queer propõe um espaço de acolhimento, diversidade e visibilidade para a população queer da cidade e da região. O coletivo, de caráter político apartidário e sem fins lucrativos, atua em diversas frentes de defesa de direitos sociais, entre elas a luta por equidade de gênero e sexualidade.

“O evento nasceu da necessidade de um lugar onde o público queer se veja não só representado, mas também acolhido”, explicam os organizadores. “É difícil encontrar casas noturnas no interior que toquem artistas como Rihanna, Ariana Grande, Pabllo Vittar ou Anitta, nomes que fazem parte do universo cultural da comunidade. Criamos um espaço onde isso é possível.”

Cena alternativa e artistas locais

Com foco em formas de expressão alternativa e produção independente, o evento contará com apresentações de Tom Ferreira, Paula Couto e Thales Sensação, além de DJs convidados. Os artistas participantes são, em sua maioria, pessoas LGBTQIA+ ou apoiadoras do movimento.

Cantor de brega e melody, Tom Ferreira afirma que ainda enfrenta obstáculos para se apresentar na própria região. “Mesmo sendo no Pará, é difícil ter espaço pra música paraense aqui. Por isso, estar no Vem Quem Queer significa muito — principalmente por cantar para a minha comunidade”, disse o artista, que costuma receber mensagens de apoio pela forma como se veste e escolhe suas letras. “É importante ter um artista LGBTQIA+ no palco. A gente se vê ali.”

A empresária Patrícia do Socorro, dona do Over Hall e apoiadora do evento, também destaca o papel da iniciativa. “Esse tipo de ação é uma forma de dar visibilidade e mostrar à sociedade que devemos lutar pela aceitação de todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero”, diz. Ela também reforça os impactos positivos para o setor privado: “A inclusão LGBTQIA+ no mercado de trabalho é um investimento que traz benefícios para empresas e para o comércio local”.

Boicotes e resistência

Apesar do crescimento da proposta, os organizadores relatam dificuldades para viabilizar o evento em espaços da cidade. “Muitos lugares são receptivos até descobrirem que o evento é voltado à comunidade LGBTQIA+”, afirma Matheus Rodolfo, fundador do coletivo. “A partir daí surgem desculpas, cobranças acima do valor de mercado, ou simplesmente recusas. Mas a gente não desanima.”

Matheus também destacou o desejo do grupo em promover futuras ações de maior alcance. “Nosso coletivo nasceu para ser grande e ser referência. Temos como objetivo realizar a primeira passeata da comunidade LGBTQIA+ em Canaã.”

Representatividade e pertencimento

Além dos artistas e organizadores, o evento também mobiliza o público. Mikaelly da Silva, participante da primeira edição, reforça a importância da iniciativa. “É quando a gente se sente envolvida com a sociedade. Estou animada para este ano, a primeira edição foi ótima e superou nossas expectativas”, contou.

A fala de Mikaelly ecoa os sentimentos do coletivo. “Apesar de todos os boicotes e contratempos, nada se compara à sensação de ver uma pessoa LGBTQIA+ se sentindo acolhida por nós”, resume Matheus.

Mas o que é Queer?

O termo “queer” tem origem na língua inglesa e, durante muito tempo, foi usado de forma pejorativa para ofender pessoas LGBTQIA+. No entanto, nas últimas décadas, o termo foi resignificado e passou a ser adotado com orgulho por muitas pessoas da comunidade, especialmente aquelas que não se identificam com rótulos fixos de orientação sexual ou identidade de gênero.

Hoje, “queer” é uma expressão ampla e inclusiva, que pode abarcar diversas vivências fora das normas cisgênero e heterossexuais. Utilizar a palavra “queer” é também um ato político, que questiona padrões sociais rígidos sobre sexualidade e gênero, defendendo a liberdade de existir fora das caixinhas impostas pela sociedade.

No contexto cultural, o termo também está ligado a uma estética e uma atitude de resistência, algo visível em eventos como o Vem Quem Queer, que além de celebrar a diversidade, propõe uma transformação social a partir da arte e do afeto.

Serviço – Vem Quem Queer 2025

📍 Local: Espaço Sim Sem Hora – Bairro Vale dos Sonhos III, Canaã dos Carajás
📅 Data: Sábado, 5 de julho de 2025
Horário: A partir das 19h
🎤 Atrações: Tom Ferreira, Paula Couto, Thales Sensação, DJs e convidados
🎟️ Entrada: Gratuita
📲 Mais informações: Redes sociais do coletivo Juventudes pela Revolução

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